Olha eu aqui, depois de tanto tempo...
Posso ter ficado muito tempo sem escrever pra você, mas saiba que não passa um dia que seja que eu não lembre de você.
Que eu lembre do seu sorriso, do seu abraço, do seu cheiro, da sua risada, das suas broncas, dos seus carinhos, e da sua presença, que tanto me agradava.
Embora meu rosto mostre serenidade e tranqüilidade, que mostre seriedade, saiba que aqui dentro tudo dói e sangra pela sua falta.
A saudade é demais, é enorme é imensurável, é tão intensa e dolorida e é tão boa ao mesmo tempo.
O meu silêncio quando eu estive com você, minha falta de afeto e minha falta de senso, hoje me doem, e me magoam de uma forma que eu não sei explicar. Eu que sempre fui tão boa com as palavras, eu fico sem nenhuma, quando eu tento explicar minha saudade e o meu amor por você.
Nós nascemos para sermos completos, nascemos e aprendemos a andar, a falar, a comer, e a amar. Mas nunca ninguém nos ensina que um dia, todo aquelas que nos amaram e todos aqueles que amamos, partem para um lugar, onde não tem volta, para um lugar onde nunca ninguém regressou para nos dizer como é.
Você partiu e levou um bom pedaço do meu coração, e um outro bom pedaço da minha alma, e ainda o que restou, continua sendo sua, eternamente sua.
Era bom te encontrar nos meus sonhos, passeávamos juntas, nos divertíamos juntas, como antes, até que um dia você disse em um dos meus sonhos que precisaríamos nos separar e que você nunca deveria ter me amado daquele jeito, e que era hora de ir, realmente.
Acordei serena e calma, um sentimento bom tinha tomado conta de mim. Mas, você nunca mais me visitou, e a única forma de comunicação que tínhamos, está vazia e sem esperança.
Você estava me dizendo com freqüência “a vó vai morrer logo” eu ficava irritada e brigava com você, aí eu virava as costas e pensava: “o que vai ser quando isso acontecer?”.
Ainda sinto como se fosse ontem, você partindo.
E também ainda sinto como se fosse ontem, minha última conversa com você.
Você estava tão feliz por me rever, toda doentinha, quietinha e magrinha, sem muito poder andar ou ficar fazendo esforços, e mesmo assim você levantou e veio me abraçar e falar que estava feliz em me ver e que estava com saudades.
Eu te dei um abraçinho e estava com pressa, saí sem muito dizer, te dei um beijo no rosto e saí.
Busquei meu vestido de festa, ah que animação para a festa.
Voltei, comecei a me arrumar e você tava ali, por perto, me olhando e eu nem dava bola, saí sem olhar pra trás.
Fui pra festa, me diverti, dancei e fui pra casa de uma amiga.
Quando eu voltei pra casa, você tava no hospital... “Exames de rotina” era só no que eu pensava.
Engano meu, naquela noite fui ao hospital para te ver. Você estava anestesiada, totalmente fora de si, não me reconhecia, nem sabia que eu estava ali, mas eu estava e uma dor tomou conta de mim, e eu sabia que você partiria logo. Te dei um beijo no rosto, passei a mão no seu cabelo e fui embora.
Fui dormir na minha prima, toda entusiasmada.
Acordei, almocei e fui para o computador, vício que me afastou mais ainda de você...
Ai veio a tia, falar que você queria me ver.
Fomos até o hospital, eles corriam, eu não entendi muito o porque.
Entrei no quarto e não podia acreditar no que eu via, você, não podia estar acontecendo comigo.
Fui até perto de você. Você pareceu me reconhecer, não estava falando e tão pouco respirando bem. Peguei nas suas mãos, e comecei a chorar.
Ali então, naquele momento percebi o quão importante você era pra mim e o quão doloroso seria te perder, e mais, o quanto eu te amava.
Sai do quarto, eu não queria que me visse daquele jeito.
Aí me contaram o que estava acontecendo, você estava com câncer em fase terminal no fígado, já pegando um pedaço do pâncreas. É, não tinha mais o que fazer, não tinha.
Voltei para o quarto, vi uns médicos te trocando pela janela, vi você sem aparelhos, achei que você tava ficando boa e que estava indo pra casa, que nada, você tinha partido.
Corri pro seu corpo, te abracei forte, minha voz mal saía, eu estava nervosa demais, e as palavras que você merecia ouvir todo dia, saíram tão espontâneas: “não me deixa, eu te amo tanto”. Era tarde, você não me ouvia mais.
A dor era muita, tanta que eu mal a sentia, parecia que todos os nervos e veias do meu corpo haviam parado de funcionar, era como se eu estivesse voando, não sentia nada, a não ser aquela dor que me anestesiava por dentro.
E hoje estou aqui, sem ter muito o que dizer, sem ter muito o que expressar, a não ser todo esse meu arrependimento e todo esse meu apreço, que embora eu não tenha demonstrado, sempre existiu e existiu intensamente, e no fundo, eu sei que você sabe disso melhor do que eu.
Logo é o nosso aniversário, e mais um ano passarei sem você do meu lado, sem você para apagar as velinhas comigo. O primeiro pedaço já não tem dono, porque ele sempre foi seu, lembra?
Acho que você não sabia o valor que tinha pra mim, mas você tinha e muito, eu te queria sempre por perto, aonde quer que eu fosse.
Quando eu ia viajar para competir, sua foto ia comigo, porque eu sabia que seu coração e sua mão estavam ali comigo, e que ia me acudir se eu me desse mal.
Quando eu dormia na sua casa, deitava junto a você, passava a mão no seu cabelo, e falava bem baixinho “eu te amo e você é tudo pra mim”.
Seu sangue, ainda corre em minhas veias.
Seu coração, ainda bate junto ao meu.
Sua alma eu ainda sinto aqui.
Seu amor, eu ainda guardo aqui.
Sua voz, eu ainda escuto aqui dentro.
Onde quer que você esteja se está vendo isso, eu quero dizer que meu amor por você é incondicional, é irreversível, é incomparável, é indescritível, é irreal... Eu te amo hoje e no amanhã, te amo no agora e no depois, te amo no dia e te amo na noite, te amo no começo e te amo no fim. Te amo quando o sol nasce, te amo quando o sol se põe. Te amo quando a Lua surge, e te amo quando ela vai embora. Te amo na manhã quente e te amo na tarde fria, te amo no canto dos pássaros, e te amo no fechar das asas. Te amo surgir da primavera, e te amo no terminar do inverno. Te amo no cair das folhas, te amo em cada gota de orvalho, te amo nos seus erros, e te amo nos seus acertos. Te amo no seu ciúmes e te amo no seu desdenho. Te amo em na minha plena consciência e te amo na minha mente insana. Te amo de perto, e te amo de longe, te amo aqui e te amo em qualquer lugar. Eu te amo sempre e te amarei, além disso, porque eu simplesmente, te amo e sempre vou amar, até o dia em que Ele resolva nos colocar frente a frente de novo, e até lá, saiba que vou ficar aqui, sentindo saudades e... te amando, Vó Maria, te amando para sempre.