segunda-feira, 3 de maio de 2010

Mais uma história de amor


As páginas da minha vida que passei com você expiraram, os nossos pensamentos parecem evaporar e as lembranças cada vez mais longe. Minha demência já é maléfica. As vozes, os vultos, as visões, tornam-se cada vez mais reais a cada dia que passa. Já me sinto como um filho das trevas tocado pela solidão, abraçado pelo rancor. Sentimento hostil, onde as esperanças têm vida única e curta. Estou sozinho, e não espero que volte. Lembro todo dia, todo instante como era tudo com você aqui, nós dois na nossa mansão, eu escrevendo meus livros, você os relendo, ganhando muito dinheiro, finalmente você tinha a vida que merecia. No nosso jardim cheio de flores, do jeito que você gostava, com aquele balanço que você tanto queria todo aquele perfume das rosas... Você como sempre deslumbrante com aquele vestido branco, parecia uma rainha, e era só minha. Seus olhos pareciam ter sidos pintados pelos anjos, com a cor da tinta do céu, um azul que me envolvia, me enlouquecia. Seus cabelos negros como ébano, longos, lisos como o manto do céu nas noites escuras. Seu rosto branco, ingênuo, puro, seus lábios pareciam rubis, corado com todo aquele brilho, valiosíssimo para mim. Seu sorriso era o paraíso, seu corpo era meu Éden. Mas um dia tudo acabou você saiu, e nunca mais voltou, quando a encontrei deitada no campo de girassóis, parecia um anjo dormindo, mas não, seu corpo insípido, seus olhos fixos para o céu, logo percebi que minha razão de viver, acabava se finar-se. Lágrimas não rolaram de meus olhos, nem expressão de dor alguma, apenas não te deixei durante dias... Minha vida só tem gosto de fel, meus dias são frios, melancólicos, sem você. Meus olhos imersos na escuridão, meus sentimentos imergidos no ódio, meu coração fragmentado, despedaçado. Revendo nossas fotos, chorei pela primeira vez em todos esses anos, éramos tão felizes minha doce menina... Mas são apenas lembranças vazias, tempos que não voltam, apenas um sentimento nostálgico de tempos bons, sonhos destruídos. Daquele coração cheio de amor, cheio de alegria que carregava em meu peito, só sobrou angústia e medo. Às vezes no meio da noite, ouço você batendo na porta, chamando por mim. Eu corro feito louco até a porta, desço as escadas, mas não há nada. Sento-me no hall, acendo meu marlboro, fico relendo meus livros de amor que escrevia, fico relembrando do talento que eu tinha, e minha inspiração era você minha vida. Hoje me restam apenas estes papéis, míseros papéis, já mofados pelos anos que estiveram guardados, para escrever meus fúnebres sentimentos. Tenho doces sonhos com você ainda, sonho que te toco, nosso amor carnal, nosso amor eterno, nosso lindo amor, ainda estão em mim, e sempre estarão. Eu ainda amo você e a amarei para o resto da minha vida, a além dela também, minha eterna, amada e doce criança, minha pequena.

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